quinta-feira, 27 de setembro de 2007
A trapalhada
Pode parecer um inocente programa de humor pastelão, mas Os Trapalhões representam o paroxismo de um brasil orgulhoso do seu atraso. Mussum é o bebum irremediável. Zacarias, uma biba chiliquenta. Dedé, um charlatão metido a galã. E Didi, o cearence que se dá bem no Rio de Janeiro, pratica todo tipo de malandragem. Na supracitada abertura, Dedé fica enfeitiçado por uma bunda de mulata, e Didi foge da cadeia. No fim, todos se encontram para praticarem suas trapalhadas.
terça-feira, 18 de setembro de 2007
O Produto e A Metáfora Perfeita
Feito para ilustrar o slogan "corra de publicidade ruim", o vídeo O Produto, da Faculdade Cantareira, deveria soar como uma brincadeira contra os produtos inúteis que o tele-marketing tenta nos empurrar. Nada mais falso. O Produto - que não sabemos qual é - representa, pelo contrário, O Grande Enigma da Vida, A Derradeira Resposta Para Todas as Perguntas, A Verdade Final Sobre o Destino do Homem, do Universo e de Todas as Coisas, em suma, O Produto é Deus. Dele se falam maravilhas, mas ninguém nunca o viu.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Ai que Susto II
O dj Raphael Marquez se superou com o Funk do Ai que Susto II, escolhendo outras partes da aula de sexo anal e inserindo, com a mesma sofisticação e senso melódico, os batidões e as pausas.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Conexão Conic
Ah, tudo o que eu queria. Um cineminha pra esticar a noite. Ashley Judd, em Possuídos. Dizem que está brilhante. Então vamos. Jogo a guimba de cigarro no chão e vou comprar as entradas. Boas salas aqui no Cinemark, mas essa pipoca é um lixo. Resolvo comprar a tal "cine-caixinha", a mais barata. Me entregam uma cesta de plástico com umas pipocas socadas lá dentro e um quebra-cabeça. Não quero essa droga. Só queria a pipoca. E vem uma miséria. Mas tudo bem: vamos ver o que Ashley Judd tem pra apresentar. Pressinto que é coisa boa. Mas - depois de meiahora de traillers - descubro que deixaramn-na feia. Para compor o personagem. Tudo bem. É uma garçonete de beira de estrada que apanha do ex-marido presidiário. Aí - aperece essa cara. E as coisas começam a ficar realmente esquisitas. Li depois, na imprensa, que o filme não deveria ser vendido como de terror: era, ao que parece, sobre a solidão e o medo. Não foi o que me avisaram nos cartazes. Podia jurar que era um filme de terror. E então - inexplicavelmente - as coisas vão ficando mais estranhas ainda. De repente estou naquele teatro subterrâneo do Conic. O filme é uma peça de uma galera muito doida da faculdade Dulcina. No final, um casal de loucos apaixonados se encharca de querosene e bota fogo no palco. Quando termina, tenho que descer até a rodoviária e pegar um baú de volta ao Cinemark.
terça-feira, 21 de agosto de 2007
O redentor
As crianças brasileiras que cresceram vendo a Xuxa e as Paquitas rebolarem com seus shortinhos estariam, hoje, idiotizadas, não fosse o Chaves para salvar e redimir uma geração inteira. Se os adultos de vinte e tantos anos tem algum discernimento moral em função da programação que lhe foi enfiada goela abaixo na infância, certamente é devido à turma da vila e não à histeria sexualizada das apresentadoras infantis. Se o visionário Silvio Santos não tivesse comprado, da Televisa mexicana, um lote de episódios de Chaves e sua turma, certamente o Brasil seria hoje um país mais violento e mais triste para se viver.
sábado, 11 de agosto de 2007
Anemokol neles!
O Impávido Colosso Brasileiro, que jazia adormecido, agora vai despertar introduzir-se no rol das grandes potências. Com Anemokol a família brasileira fica mais forte, mais feliz e mais saudável. O filminho é delicioso: é puro Brasil.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Isso, sim, é engraçado
Talvez o melhor humorista da atualidade, Gil Brother representa a nova cara do terrorismo cultural: sua função é aviltar, degradar, desonrar, detrair, macular e achincalhar tudo o que vê pela frente. Sinal dos tempos: o humorista que antigamente nos fazia rir pela sua inocência, sua patetice, sua ingenuidade malandra, agora nos brinda com um escarnecer despudorado e violento. Gil Brother roda a baiana, jura de morte, maldiz com sangue no olho todas as gerações de miseráveis que já pisaram sobre a terra. Como um filósofo do absurdo, em movimentos catárticos e espasmódicos, ele lembra a banalidade da vida, a transitoriedade do tempo, a desimportância de tudo, mas ainda assim é terrivelmente engraçado, um artista genial e visionário.
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